domingo, 28 de março de 2010

AUTISTA TROVADOR


Silvania Mendonça Almeida Margarida
27 de março de 2010 21h14m

Sou o que sou, sou eu,
Sou o que sempre quis ser,
Aceite-me como sou
Não tenho a pretensão
Não tenho a garantia da
Chamada normalidade
Sou autista dos seus sonhos
Assim, por favor,
Aceite-me como sou
Não há nenhum autista
Igual no seu mundo
Esta é a única garantia que dou

Eu sou o ser supremo do seu universo
Posso ser o seu “anjo de barro”
Como posso ser a escada do seu céu
Ou o vagalume da sua escuridão

Eu vi suas lágrimas e lhe ouvi chorar
Mas ninguém tem a chave do meu ser
Recordar é bom, é volver à missão da essência
É temer sem temer a eterna ilusão

Sendo apenas um trovador
Venho como autista para tratar
das poesias inacabadas e infiéis,
que dizem e se registram sem gritar,
somente o silêncio e o preceito da pura solidez

Todo mundo precisa ser belo para viver?
Solucionar o que alguns homens criaram?
Ou saber do entusiasmo criador daqueles
que não se afeiçoam com um mundo
único e irreversível,
que se diz e escreve a gritar,
que o amor é único, puro e verdadeiro
e nenhum indivíduo pode duvidar
Só quem conduz o autista saberá...

Adote-me, com um Orgulho Autista bom
Daquele orgulho que muita gente
Não pode desprezar,
somente amar e admirar
Nas cantigas autísticas dos versos meus

Mira, sente-se aqui e abraça
O autista trovador
Levante o seu íntimo retraído
Do seu silêncio e do meu amor!

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