terça-feira, 12 de agosto de 2014

A batalha do autismo – Da clínica à política

LIVRO: A batalha do autismo – Da clínica à política

ABAIXO DA CRÍTICA

Resenha do livro ‘A batalha do autismo’, publicada na CH (Ciência Hoje), aponta interesses explícitos do texto, pouco conteúdo de base científica e desatualização de dados sobre o transtorno.
Por: Francisco Assumpção

Tema de livro lançado no Brasil, o chamado espectro do autismo, que reúne vários transtornos do desenvolvimento, atinge 70 milhões, segundo a Organização Mundial da Saúde.
 (foto: Belovodchenko Anton/ Freeimages)
Escrito pelo psicanalista francês Éric Laurent, este livro se propõe a oferecer um painel dos debates referentes ao autismo, bem como a desmistificar a burocracia sanitária, possibilitando perspectivas ao tratamento das pessoas autistas. Sua leitura é, a princípio, extremamente interessante, como o é a leitura de qualquer panfleto, considerado pelo dicionário Aurélio como um escrito satírico ou violento, geralmente político. Assim, já como ponto de partida, não se pode considerá-lo um livro científico. Apesar disso, podemos dividi-lo em duas partes bastante distintas.
O  livro se propõe a oferecer um painel dos debates referentes ao autismo
Uma delas, composta pelo prólogo, pelos três capítulos da parte dois, pela conclusão e pela própria introdução ao leitor brasileiro, consiste em um libelo que, no país, tem um endereço específico: a determinação da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, exigindo o diagnóstico a partir de avaliação neurológica e/ou psiquiátrica, e atendimento multiprofissional, a partir de abordagens em linguagem pragmática e em técnicas cognitivo-comportamentais, fatos tidos como inadmissíveis por toda uma gama de profissionais, embora tenham aceitação internacional.
Trata-se assim de mera discussão e defesa sobre mercado de trabalho, ainda que tente se justificar sob a égide de uma visão democrática e (como era de se esperar nesta pós-modernidade) politicamente correta.
Para tal justificativa, alguns argumentos, que devem ser pensados, são utilizados. Citando o livro Imposturas intelectuais, de Alan Sokal e Jean Bricmont (Record, 1991), podemos observar uma confusão entre o sentido corriqueiro e o técnico das palavras, bem como em ambiguidades que são frequentes em todo o texto.
Capa do livro Autismo
Um bom exemplo encontra-se logo ao se iniciar a segunda parte, quando se destaca que a medicina baseada em evidências “recusa as coortes de caso com seu acompanhamento”, esquecendo-se que estudos de coorte, muito utilizados em epidemiologia, correspondem a “se partir de um fator de exposição (causa) para se descrever a incidência e analisar associações entre causas e doenças. Fornece assim excelentes informações sobre as causas de uma doença, embora apresente alto custo e demande longo período de tempo, podendo ser confundido com estudos de caso-controle”.
O que realmente não se diz é que estudos de coorte não correspondem a meros estudos de caso, realizados de maneira descritiva e anedótica, como muitos são descritos no decorrer da obra. Da mesma maneira, inúmeras outras afirmações são feitas desconsiderando o significado técnico, o que ocasiona erros de interpretação e, principalmente, afeta a credibilidade da obra.
A segunda parte, um pouco mais séria, trata a questão do autismo sob uma ótica extremamente específica, lacaniana, que, no dizer de Catherine Meyer, em O livro negro da psicanálise (Civilização Brasileira, 2011), reflete a décalage [descompasso] entre a hegemonia da psicanálise na França e seu declínio no restante do mundo, frisando que somente Brasil e Argentina acompanham esse movimento conservador.
Teorias especulativas
Considerando essa parte teórica, as mesmas críticas me parecem procedentes, uma vez que teorias especulativas são apresentadas como ciência estabelecida – mesmo se não considerarmos as que Sokal e Bricmont apontam exaustivamente quando se referem à utilização que Jacques Lacan faz de palavras como ‘topologia’ ou ‘toro’, procurando dar uma aparência matemática (enquanto “ciência pesada”) para analogias arbitrárias.
Assim, considerando-se o tema, autismo, antes de lançarmos generalizações teóricas (e, neste caso, a partir de pouquíssimos casos relatados), seria interessante que nos debruçássemos sobre dados empíricos (bastante desvalorizados pelos intelectuais pós-modernos) para checar a procedência de determinadas afirmações.
 Em função dessas breves considerações em ambas as partes do livro, a situação deve ser analisada a partir de dados referentes à eficácia de determinados métodos, exaustivamente estudados, com revisões e experimentos recentes, e não a partir de estudos de casos individuais. Entretanto, estudos controlados e com metodologia replicável e adequada – como os apresentados por Brian A. Boyd et al. no Journal of Autism and Developmental Disorders  – são desconsiderados por esta obra, tanto sob o ponto de vista teórico (que permitiria a reformulação de teorias, fato fundamental para qualquer ciência) quanto sob o ponto de vista prático.
Mulher autista
Os métodos terapêuticos do autismo devem se basear em testes empíricos e 
na análise dos resultados obtidos em diferentes locais e ambientes. 
(foto: guenter m. kirchweger/ Freeimages)
Talvez isso esteja presente porque, sob determinadas condições (e a defesa de mercado é uma delas), o mundo real dificilmente importa (e, neste caso, os indivíduos autistas), embora o objetivo básico a ser buscado deva ser o desenvolvimento de estratégias eficientes para a verificação dos fatos, usando-se para isso bases de dados universalizadas, que permitam a escolha dos melhores e mais eficazes projetos terapêuticos. Principalmente se pensamos em saúde pública, a qual deve maximizar os benefícios para a maior parcela da população atendida, considerando-se os exíguos recursos a ela destinados.
O objetivo básico a ser buscado deve ser o desenvolvimento de estratégias eficientes para a verificação dos fatos, 
usando-se para isso bases de dados universalizadas, 
que permitam a escolha dos melhores e mais eficazes projetos terapêuticos.
Deve-se, portanto, ‘checar’ a eficácia dos métodos terapêuticos propostos não a partir de modelos teóricos, embasados na autoridade de quem fala, mas sim a partir de testes empíricos e da análise dos resultados obtidos em diferentes locais e ambientes.
A nada disso o presente livro se propõe. Resta-nos então lê-lo por aquilo que de fato é: um texto com interesses explícitos, pouco conteúdo de base científica e totalmente desatualizado em relação ao que se pensa sobre autismo, no mundo, hoje.
Para quem ainda não acredita, sugiro a leitura do número de janeiro de 2014 da Child and Adolescent Psychiatric Clinics of North America, que traz artigos recentes e documentados sobre o manuseio agudo dos ‘transtornos do espectro do autismo’. Independentemente da crença ou das falhas (indubitáveis) presentes no DSM 5 (Dicionário de Saúde Mental, da Associação Americana de Psiquiatria), utilizado pela publicação, é, ao menos, uma informação atual e razoavelmente embasada.
FONTE:
Francisco Assumpção
Instituto de Psicologia
Universidade de São Paulo
Publicado em 07/08/2014 | Atualizado em 07/08/2014

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2014/316/abaixo-da-critica

fonte: Vivências Autísticas de Nilton Salvador      

sexta-feira, 21 de março de 2014

Está difícil de achar



silvania mendonça almeida

A leveza do ser 
A grandeza do amor
A lágrima extenuada
Os momentos em flor

Está difícil de achar

os tesouros do céu
a estrela do mar
o autismo profundo
as teorias do ar

Está muito difícil achar

o agradecimento eterno
o flutuamento do vento
a vontade de ficar
as diferenças do ser

Está muito difícil achar
Você!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PACIÊNCIA DE EDUCADORES

silvania mendonça


Oh! como temos a eterna mania de atropelar tudo. O julgamento e a falta de paciência são defeitos próprios dos seres humanos. E Jesus disse: "não julgueis para não serdes julgados". O Mestre via com os mais belos olhos suas ovelhas e as apascentava. E dizia que nenhuma ovelha seria desgarrada. Por que então a impaciência? Quantas pessoas se aproveitam das outras e deixam por isto mesmo. Quantas mães e pais de autismo se queixam que são enganados pela escola, pelo ambiente de seus filhos?
Será que não pensam que a Espiritualidade Maior está olhando? Que Ela tudo vê?
E como ficam os impacientes, os julgadores, os estovados pela vida. Estamos no grande barco chamado planeta Terra. Não me excluo desta.
Somente quero aprender o discernimento da paciência, da humildade, do amor infinito ao próximo e nunca julgar. Orientadores e professores devem fazer o mesmo e apoiar infinitamente os pais do autismo, das doenças intelectuais e físicas.
Por isso e tudo mais: a paciência é uma virtude. Ninguém está jogado aqui embaixo como um barril de pólvora que explodirá a qualquer momento. Temos que ter a paciência com os nossos filhos especiais e mostrar isto na educação. Afinal, o que ganhamos em dizer o que este é o "o meu Certinho" se não somos uma ilha. E se as pessoas ao nosso redor não estão preparadas com o "nosso certinho". Professores e educadores do autismo têm a missão de ensinar pais e não o "seu certinho" o seu "olá, tudo bem, a educação é assim e não vai mudar pelo seu filho especial". "Não estando dentro do meu certinho, se retire". E pais chorosos vida afora perdem e pedem a eterna oportunidade de seus filhos. E suas mãos são tenras e tremem. Como tremem. Difícil ter medo das pessoas. Não era para ninguém ter este medo, principalmente educadores de filhos e pais.
Professores acham pelo motivo que alcançaram determinado cargo podem espezinhar. E, às vezes, falam em nome do Mestre. Misturam religião com educação.
Mas Jesus é claro na mensagem que deixou: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" "Vou para lhes preparar um lugar e estarão comigo"
O arremate da vida são estas: a educação, o carinho, a singeleza, a humildade cabem em qualquer lugar e ninguém tem nada a perder.
Paciência eterna com os nossos filhos! Motivo de dignidade humana!
Acordem educadores! Os braços de Morfeu impedem de vocês vivenciar a alegria de ter um aluno especial! Os ganhos só seriam seus! Nós já ganhamos!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

DO MUNDO DE LÁ



SILVANIA MENDONÇA ALMEIDA 
PENSADA AGORA 

Lá para as bandas do mundo de lá!
Bateu insegurança interior
Palavra feia, feia mesmo
Para quem sabe o que é a Fé do SENHOR!!!

Lá para as bandas do mundo de lá
Bateu desconhecimento do autismo
Falta de significação pura
Para quem sabe o autismo não é abismo!!!!

Lá para as bandas do mundo de lá
Faltou amor no coração
Falta de solidariedade pura
Para quem sabe que o amor não é ilusão!!!!

Lá para as bandas do mundo de lá
Faltou escrever os casos de bem
Casos de bem são para pessoas aprendizes
Para quem já sabe dizer amém!!!!

Minhas rimas muito pobres!
Poderão ser santificadas
Quando tiver a verdadeira consciência
Que estou aqui de passagem!!!!!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

E a moça autista da novela, heim???


“Mas uma pessoa autista é daquele jeito mesmo?”
“Um autista pode namorar?”
“Pode isso, Arnaldo?”
(Não exatamente assim, mas meio por aí…)
Vamos começar esclarecendo  o seguinte:
1. A personagem da novela Amor à Vida, a Linda, NÃO É AUTISTA, ok? Apesar do autor “querer” retratar um indivíduo com Transtorno do Espectro Autista (TEA), as características demonstradas pela Linda no desenvolvimento da personagem são confusas e muitas vezes jamais se enquadrariam nas características de pessoas com TEA…
2. Pessoas autistas têm uma imensa variedade de características, diferentes de indivíduo para indivíduo. Cada uma terá determinadas características diferentes das outras. Principalmente, há GRAUS variados de comprometimento desde um autismo leve (que a gente chama de “alto funcionamento”, porque geralmente não impede que a pessoa tenha uma vida relativamente “normal” e produtiva) até graus bem severos, em que há muito comprometimento das funções cognitivas, da comunicação e dos comportamentos.
3. O tratamento psicológico da Linda, como foi mostrado na novela, dá vontade de chorar. Sério: quantas vezes mesmo a gente viu o Psicologuinho-da-Novela em sessão terapêutica com a Linda? Eu contei três. E em NENHUMA delas o que foi mostrado chega nem em sonho perto do que é realmente o tratamento adequado para autismo. Teve uma cena em que o Psicologuinho-da-Novela segurava um cartaz  e dizia pra Linda: “Olha aqui, é assim que arruma a cama. Hoje você vai arrumar a cama, tá?” E daí a Linda ia lá e arrumava a cama… Not even in your wildest dreams que uma pessoa com comprometimento cognitivo severo – como a personagem demonstrava naquele ponto da trama – ia adquirir uma habilidade tão complexa como arrumar a cama só de olhar pra um cartaz, ok??? ISSO NON ECXISTE!!!!
4. O desenvolvimento cognitivo, social e comunicativo da personagem deu um salto imenso desde que ela começou a ser tratada (em três sessões!) pelo Psicologuinho-da-Novela. Não é beeeeeeeeeeem assim que acontece… O tratamento do autismo é feito por diferentes profissionais: psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, T.O., neurologista, psiquiatra, e mais um monte de gente. E é um tratamento intensivo, todo dia, o dia inteiro, e envolve também os pais e os cuidadores da criança. Se iniciado precocemente, quando a criança é bem pequenininha, o desenvolvimento pode ser quase igual ao de uma criança típica em algumas áreas. Mas quanto mais tarde o tratamento é iniciado, mais lento é o resultado.
5. Aí o Adêvogado-Gato apareceu, deu um monte de tintas, pincéis e cartolinas pra ela, e OLHA-SÓ!, praticamente CUROU o TEA da Linda. Só pra deixar BEM claro: amor só cura dor-de-cotovelo e DPPnB (Depressão Pós Pé-na-Bunda), ok???
(Disclaimer: Arteterapia é uma tipo de terapia de suporte válida e embasada em evidências. Dar um monte de guache prum indivíduo autista e falar “pintaê, meu filho!” NÃO É ARTETERAPIA!!!!)
Mas… mas… mas…
Ora? Direis… Ouvir estrelas? Não, péra!
Mas afinal, O QUE É AUTISMO?
Bear with me.
O autismo é uma síndrome (aka, conjunto de sintomas) que compromete três áreasdo desenvolvimento:
a. a comunicação/linguagem fica seriamente comprometida, com grandes atrasos na compreensão e na produção da fala. Alguns autistas têm falas inadequadas e repetitivas (ecolalia), fora de contexto e muitas vezes desconectadas da realidade.
b. a socialização: pessoas com TEA têm extrema dificuldade de manter contato social com outras pessoas. Bebês autistas não fazem contato visual e não conseguem manter atenção conjunta – se você apontar para um objeto, a criança vai olhar para a ponta do seu dedo e não para onde você está olhando e apontando. Muitas vezes os autistas relatam que não conseguem entender sinais de emoção nos outros, ou não conseguem entender e expressar suas próprias emoções e sentimentos. E a gente sabe que “são tantas emoções”… (Desculpa, não resisti.)
c. os comportamentos de pessoas autistas podem ser extremamente inadequados à situação e inapropriados. Não é incomum a presença de comportamentos abusivos ou auto-lesivos, em que a pessoa pode se machucar sério se não for contida. Também é comum que pessoas dentro do espectro autista tenham interesses restritos por algum tipo de objeto ou assunto, em alguns casos raros isso pode gerar uma “super-especialização” ou alta habilidade. Por exemplo, o cara se torna um virtuose do piano, ou é contratado pela CIA para descobrir códigos secretos. (Por favor, atenção ao adjetivo RARO. Obrigada.)
Então, de modo geral, o TEA (você vai achar por aí as nomenclaturas Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Transtorno Global do Desenvolvimento ou Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação, porque o nome varia de acordo com o manual que você usa, mas é tudo praticamente a mesma coisa) é uma condição que compromete todo o desenvolvimento do indivíduo. Seres humanos têm a incômoda mania de aprender coisas uns com os outros. Mas se o bebê já nasce com uma dificuldade de manter contato visual e atenção conjunta, fica difícil ensiná-lo a falar mamãe, a pegar o nariz do papai, a identificar quando a titia está sorrindo e sorrir de volta… e assim por diante, comprometendo todo o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Provavelmente por isso – a gente ainda não sabe com certeza absoluta, mas a hipótese é boa – há uma grande comorbidade entre autismo e déficit cognitivo.
Well… Todo esse preâmbulo pra chegar no assunto da semana, que é: “Mas e aí, o que você acha da moça autista da novela namorar?”
Linda e o Adêvogado-Gato…
Eeeeeeeeeeeeerrr… Olha, é complexo.
DO JEITO QUE ESTÁ NA NOVELA, ou seja, uma MENINA com sério comprometimento cognitivo e de comunicação, se envolvendo com UM HOMEM adulto, com desenvolvimento típico, provavelmente bem mais velho, e sem o consentimento da família: NÃO.
Fácil assim.
[Que parte de "uma MENINA que não é capaz de tomar decisões plenas se relacionando com um HOMEM mais velho e em situação de poder privilegiada" você acha que pode ser discutida?]
Ok. Moving on.
Como o autismo (assim como a deficiência cognitiva) tem vários graus, e cada indivíduo se desenvolve de maneira única, as coisas têm que ser analisadas caso a caso com muito cuidado e bom senso. (I know. I know…)
Muitas coisas deviam ser levadas em consideração em casos como esse: qual o grau de comprometimento cognitivo dessa pessoa? Ela consegue tomar decisões sozinha? Ela tem habilidade para pesar todas as consequências de suas decisões? Qual o grau de desenvolvimento emocional dessa pessoa (ou das duas envolvidas)? Há uma relação de poder e de “capacidades” muito desequilibrada entre as pessoas envolvidas? Esse relacionamento deve ser constantemente monitorado pelos pais e cuidadores ou o casal pode ter certo grau de autonomia e “intimidade”? E mais um monte de coisas…
As pessoa com TEA não têm necessariamente o desenvolvimento emocional comprometido, é claro que elas podem se apaixonar e ter um relacionamento romântico e/ou sexual saudável com outra pessoa. Há várias pessoas autistas casadas, pais e mães de família, que se dão muito-bem-obrigada com ou sem apoio externo. Mas há sim, e muitos, casos em que o autista precisa de supervisão e apoio constante até na idade adulta, porque ele não tem habilidade de tomar decisões complexas sozinho, ou não consegue se comunicar com eficiência, ou mesmo porque seu grau de desenvolvimento cognitivo não permite que ele  seja considerado “capaz” legalmente.
Pois é, tem mais essa questão da “capacidade legal“: pessoas com comprometimento cognitivo são consideradas como crianças pela lei. É o tal do “incapaz”, ou seja, a pessoa é “incapaz” de consentir com o avanço romântico e sexual de outra pessoa. Essa lei foi feita para proteger crianças e pessoas que não têm habilidade cognitiva suficiente para tomar decisões adequadas. Por um lado ela ajuda, mas por outro, pode atrapalhar quando o indivíduo, apesar do déficit cognitivo, é sim capaz de tomar decisões, mesmo que ele precise de ajuda e suporte profissional ou da família. Então, tudo tem que ser analisado com cuidadinho… e cada caso é um caso.
É. Tudo depende. Bem vindo ao mundo real, em que as coisas têm vários tons de cinza (UÔU!) e não são só preto ou branco.

[Sugestão: leia esse post da Verinha da Silveira no blog "Feminismo Sem Demagogia"... Bacana, com muita informação e entrevistas com mães de pessoas com TEA.
Outra sugestão: esse outro post do Professor Celso Goyos no blog "Vamos falar sobre autismo" para esclarecer dúvidas sobre o diagnóstico e o tratamento do autismo. Sim, ele é meu supervisor de Pós-doutorado e esse é o blog do Lab onde eu trabalho. 


sábado, 11 de janeiro de 2014

CURIOSIDADE DO AUTISMO OU EVOLUÇÃO ESPIRITUAL DESMEDIDA


silvânia mendonça almeida


Não adianta. Mãe observa filhos vinte e quatro horas. Mesmo não podendo fazer tudo por ele. Mas muitas vezes me pego a observar meu filho autista. André é por demais terno, meigo e calado. Lógico. O dom da sua fala é muito restrito. Mas se tem uma pessoinha que não precisa falar, esta é ele. Fala com aqueles olhos brilhantes, arqueados, observadores. Olhar que às vezes se perde no balanço das coisas feitas e no balanço de vida das pessoas menos favorecidas.
Uma curiosidade espiritual passou a acontecer na rua onde temos acesso. André é amigo e chega perto de todos os moradores da rua. Também nos restaurantes, nos lugares onde vamos e nas cidades as quais já passamos. André não pega na mão de gente “normal” para cumprimentar. Não permite o toque de ninguém. Sabemos que todos merecem nossos eternos cumprimentos educados, sociais, vislumbrados na convivência de não sermos uma ilha. Mas também sei que meu filho é diferente. Foi considerado diferente e age de forma diversificada.
E lá vai ele. Atravessa a rua e pega nas mãos de todos os que são seus moradores. Temos que acompanhar, pois ele ainda não sabe atravessar a rua. E ao chegar perto dos maltrapilhos André balança a mão do sujeito várias vezes. Sua dignidade humana e espiritual se alicerça ao morador de rua.
“Oi, oi, oi, oi, oi,oi.” André repete.
E não é diferente em outros lugares. Nas beiradas das ruas, nos possíveis guetos onde tentamos fazer nossa caridade de cada dia, nas portas de igrejas, nos lugares inusitados.
E faz questão de balançar as mãos de mendigos, moradores de rua e de todos aqueles que são considerados pessoas com necessidades especiais. E seu aperto de mão é forte. Como passasse a espiritualidade azul que existe dentro dele. E segue repetindo: “oi, oi, oi, oi, oi.” O Cumprimentado sente a mão doer.
Curiosidade especial do autismo? Evolução desmedida?
Opiniões e análises são muito bem-vindas.
Só sei explicar a ternura e a compaixão do seu olhar para cada olhar sofrido. Mais nada!!!!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

E lá vai o vento



silvania mendonça almeida margarida
pensada em 09 de janeiro de 2014.

E lá vai o vento
Levando alegrias
O néctar das idas e vindas ao planeta
O perfume do passado e o aroma do futuro.

E lá vai o vento
A suavidade da prova
A alegria do autismo
O sabor das novas amizades

E lá vai o vento
Levando o compromisso
Trazendo o espectador
Das areias, das praias, das brisas,
Dos mares, dos oceanos
E de um grande amor!

E lá vai o vento
Sem a complicação do relógio
Do sorriso maroto do autismo
Dos passes abençoados bem espirituais
Dos momentos das galáxias
Que o tempo não traz nunca mais

E lá vai o vento
Cantando em coros de passarinhos
em ninhos e em cantos
De pombas de barulhos esquisitos
Mas que compõem a natureza
e meditam todo o seu encanto

Lá vai o vento, lá vai o vento
Na sua maratona
Na sua grandeza natural
A dizer-me: novo ciclo já começou!
E eu gentilmente agradeço!!!!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Animais e autismo

25/12/2013 12h03 - Atualizado em 25/12/2013 12h18

Criador de cães se sensibilizou com história da criança e doou o animal.
Otávio tem cinco anos e já fez tratamento usando animal de estimação.

Anna Lúcia SilvaDo G1 Centro-Oeste de Minas

Comente agora
Cachorro foi doado a garoto com autismo em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Cachorro foi doado para menino que é autismo
(Foto: Anna Lúcia Silva/G1)
Ganhar um animal de estimação no Natal pode ser o desejo de muitas crianças, mas para Otávio Augusto dos Santos, de cinco anos, um cão representa mais do que diversão, significa cuidado com a saúde. O menino de Divinópolis é autista e por quatro meses participou de uma nova técnica de terapia que utiliza cães. Segundo a mãe dele, Michele dos Santos, o resultado é de impressionar. Foi na Terapia Assistida por Animais (TAA), que a mãe de Otávio descobriu uma nova chance de recuperação para o filho. A história foi contada no G1 e um criador de cães se sensibilizou e doou um labrador ao garoto neste Natal. Otávio se assustou com a entrega do animal, que ocorreu nesta segunda-feira (23), mas segundo a psicóloga Daiane Gomes, a reação é comum. "Isso é normal, é uma fase de adaptação. Logo eles serão amigos", afirmou.
O cão que recebeu o nome de Tody é da mesma raça e cor da cadela Jade que pertence ao canil da Polícia Militar (PM) da cidade e que foi treinada, por cerca de dois anos, para ser co-terapeuta do projeto que incentiva a recuperação de crianças especiais da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
A mãe lembrou que após três sessões na terapia, Otávio parecia outro. E por isso, desde então, quis presentear o filho com um cão. E o presente segundo ela, veio em boa hora. "O Otávio já teve um cachorro, mas ele gostava tanto, que queria ficar acordado com ele e não aceitava que o cachorro dormisse do lado de fora da casa, tinha que dormir na cama. Agora, ele vai aprender a cuidar do Tody e isso vai ser muito bom, tenho certeza. Espero que Otávio se acostume logo com ele", contou.
Assim como ocorreu com Jade, o primeiro encontro com Tody também não foi receptivo. O menino precisará de um tempo para se socializar com o novo amigo, segundo a psicóloga. "Isso leva tempo, mas logo ele aceitará a presença do cachorro dentro de casa. E com certeza vai ser um motivo a mais de interação para o garoto, inclusive com outras pessoas", disse.
Otávio Augusto em casa em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Otávio Augusto em casa em Divinópolis
(Foto: Anna Lúcia Silva/G1)
E não foi só Otávio que ficou feliz com o presente. O criador de cães Alessandro Adami disse que ficou muito satisfeito em saber que o cão poderá ajudar no tratamento da criança. "Com certeza ele irá experimentar uma amizade pura que só um cão é capaz de proporcionar", afirmou.
Terapia Assistida por Animais
O trabalho com a cães é simples, segundo a terapeuta ocupacional Glória Barros Silva. Durante a terapia, junto a um corpo clínico composto por quatro profissionais da saúde, o animal estimula novas maneiras de comportamento das crianças. A terapeuta disse que a parceria com Jade tem se tornado indispensável nos trabalhos de interação com as crianças.
Jade ajuda na recuparação de crianças especiais em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/ G1)Jade ajuda na recuperação de crianças especiais
em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/ G1)
"A Jade estimula as crianças a fazerem tudo que nós terapeutas precisamos que elas façam. São coisas simples, mas que às vezes os meninos têm dificuldade de executar, e com a Jade isso se tornou fácil. Por exemplo, durante as brincadeiras que a cadela participa eles demonstram mais interesse e completam a atividade pelo simples fato de termos a cadela presente", relatou.

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