quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

E a moça autista da novela, heim???


“Mas uma pessoa autista é daquele jeito mesmo?”
“Um autista pode namorar?”
“Pode isso, Arnaldo?”
(Não exatamente assim, mas meio por aí…)
Vamos começar esclarecendo  o seguinte:
1. A personagem da novela Amor à Vida, a Linda, NÃO É AUTISTA, ok? Apesar do autor “querer” retratar um indivíduo com Transtorno do Espectro Autista (TEA), as características demonstradas pela Linda no desenvolvimento da personagem são confusas e muitas vezes jamais se enquadrariam nas características de pessoas com TEA…
2. Pessoas autistas têm uma imensa variedade de características, diferentes de indivíduo para indivíduo. Cada uma terá determinadas características diferentes das outras. Principalmente, há GRAUS variados de comprometimento desde um autismo leve (que a gente chama de “alto funcionamento”, porque geralmente não impede que a pessoa tenha uma vida relativamente “normal” e produtiva) até graus bem severos, em que há muito comprometimento das funções cognitivas, da comunicação e dos comportamentos.
3. O tratamento psicológico da Linda, como foi mostrado na novela, dá vontade de chorar. Sério: quantas vezes mesmo a gente viu o Psicologuinho-da-Novela em sessão terapêutica com a Linda? Eu contei três. E em NENHUMA delas o que foi mostrado chega nem em sonho perto do que é realmente o tratamento adequado para autismo. Teve uma cena em que o Psicologuinho-da-Novela segurava um cartaz  e dizia pra Linda: “Olha aqui, é assim que arruma a cama. Hoje você vai arrumar a cama, tá?” E daí a Linda ia lá e arrumava a cama… Not even in your wildest dreams que uma pessoa com comprometimento cognitivo severo – como a personagem demonstrava naquele ponto da trama – ia adquirir uma habilidade tão complexa como arrumar a cama só de olhar pra um cartaz, ok??? ISSO NON ECXISTE!!!!
4. O desenvolvimento cognitivo, social e comunicativo da personagem deu um salto imenso desde que ela começou a ser tratada (em três sessões!) pelo Psicologuinho-da-Novela. Não é beeeeeeeeeeem assim que acontece… O tratamento do autismo é feito por diferentes profissionais: psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, T.O., neurologista, psiquiatra, e mais um monte de gente. E é um tratamento intensivo, todo dia, o dia inteiro, e envolve também os pais e os cuidadores da criança. Se iniciado precocemente, quando a criança é bem pequenininha, o desenvolvimento pode ser quase igual ao de uma criança típica em algumas áreas. Mas quanto mais tarde o tratamento é iniciado, mais lento é o resultado.
5. Aí o Adêvogado-Gato apareceu, deu um monte de tintas, pincéis e cartolinas pra ela, e OLHA-SÓ!, praticamente CUROU o TEA da Linda. Só pra deixar BEM claro: amor só cura dor-de-cotovelo e DPPnB (Depressão Pós Pé-na-Bunda), ok???
(Disclaimer: Arteterapia é uma tipo de terapia de suporte válida e embasada em evidências. Dar um monte de guache prum indivíduo autista e falar “pintaê, meu filho!” NÃO É ARTETERAPIA!!!!)
Mas… mas… mas…
Ora? Direis… Ouvir estrelas? Não, péra!
Mas afinal, O QUE É AUTISMO?
Bear with me.
O autismo é uma síndrome (aka, conjunto de sintomas) que compromete três áreasdo desenvolvimento:
a. a comunicação/linguagem fica seriamente comprometida, com grandes atrasos na compreensão e na produção da fala. Alguns autistas têm falas inadequadas e repetitivas (ecolalia), fora de contexto e muitas vezes desconectadas da realidade.
b. a socialização: pessoas com TEA têm extrema dificuldade de manter contato social com outras pessoas. Bebês autistas não fazem contato visual e não conseguem manter atenção conjunta – se você apontar para um objeto, a criança vai olhar para a ponta do seu dedo e não para onde você está olhando e apontando. Muitas vezes os autistas relatam que não conseguem entender sinais de emoção nos outros, ou não conseguem entender e expressar suas próprias emoções e sentimentos. E a gente sabe que “são tantas emoções”… (Desculpa, não resisti.)
c. os comportamentos de pessoas autistas podem ser extremamente inadequados à situação e inapropriados. Não é incomum a presença de comportamentos abusivos ou auto-lesivos, em que a pessoa pode se machucar sério se não for contida. Também é comum que pessoas dentro do espectro autista tenham interesses restritos por algum tipo de objeto ou assunto, em alguns casos raros isso pode gerar uma “super-especialização” ou alta habilidade. Por exemplo, o cara se torna um virtuose do piano, ou é contratado pela CIA para descobrir códigos secretos. (Por favor, atenção ao adjetivo RARO. Obrigada.)
Então, de modo geral, o TEA (você vai achar por aí as nomenclaturas Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Transtorno Global do Desenvolvimento ou Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação, porque o nome varia de acordo com o manual que você usa, mas é tudo praticamente a mesma coisa) é uma condição que compromete todo o desenvolvimento do indivíduo. Seres humanos têm a incômoda mania de aprender coisas uns com os outros. Mas se o bebê já nasce com uma dificuldade de manter contato visual e atenção conjunta, fica difícil ensiná-lo a falar mamãe, a pegar o nariz do papai, a identificar quando a titia está sorrindo e sorrir de volta… e assim por diante, comprometendo todo o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Provavelmente por isso – a gente ainda não sabe com certeza absoluta, mas a hipótese é boa – há uma grande comorbidade entre autismo e déficit cognitivo.
Well… Todo esse preâmbulo pra chegar no assunto da semana, que é: “Mas e aí, o que você acha da moça autista da novela namorar?”
Linda e o Adêvogado-Gato…
Eeeeeeeeeeeeerrr… Olha, é complexo.
DO JEITO QUE ESTÁ NA NOVELA, ou seja, uma MENINA com sério comprometimento cognitivo e de comunicação, se envolvendo com UM HOMEM adulto, com desenvolvimento típico, provavelmente bem mais velho, e sem o consentimento da família: NÃO.
Fácil assim.
[Que parte de "uma MENINA que não é capaz de tomar decisões plenas se relacionando com um HOMEM mais velho e em situação de poder privilegiada" você acha que pode ser discutida?]
Ok. Moving on.
Como o autismo (assim como a deficiência cognitiva) tem vários graus, e cada indivíduo se desenvolve de maneira única, as coisas têm que ser analisadas caso a caso com muito cuidado e bom senso. (I know. I know…)
Muitas coisas deviam ser levadas em consideração em casos como esse: qual o grau de comprometimento cognitivo dessa pessoa? Ela consegue tomar decisões sozinha? Ela tem habilidade para pesar todas as consequências de suas decisões? Qual o grau de desenvolvimento emocional dessa pessoa (ou das duas envolvidas)? Há uma relação de poder e de “capacidades” muito desequilibrada entre as pessoas envolvidas? Esse relacionamento deve ser constantemente monitorado pelos pais e cuidadores ou o casal pode ter certo grau de autonomia e “intimidade”? E mais um monte de coisas…
As pessoa com TEA não têm necessariamente o desenvolvimento emocional comprometido, é claro que elas podem se apaixonar e ter um relacionamento romântico e/ou sexual saudável com outra pessoa. Há várias pessoas autistas casadas, pais e mães de família, que se dão muito-bem-obrigada com ou sem apoio externo. Mas há sim, e muitos, casos em que o autista precisa de supervisão e apoio constante até na idade adulta, porque ele não tem habilidade de tomar decisões complexas sozinho, ou não consegue se comunicar com eficiência, ou mesmo porque seu grau de desenvolvimento cognitivo não permite que ele  seja considerado “capaz” legalmente.
Pois é, tem mais essa questão da “capacidade legal“: pessoas com comprometimento cognitivo são consideradas como crianças pela lei. É o tal do “incapaz”, ou seja, a pessoa é “incapaz” de consentir com o avanço romântico e sexual de outra pessoa. Essa lei foi feita para proteger crianças e pessoas que não têm habilidade cognitiva suficiente para tomar decisões adequadas. Por um lado ela ajuda, mas por outro, pode atrapalhar quando o indivíduo, apesar do déficit cognitivo, é sim capaz de tomar decisões, mesmo que ele precise de ajuda e suporte profissional ou da família. Então, tudo tem que ser analisado com cuidadinho… e cada caso é um caso.
É. Tudo depende. Bem vindo ao mundo real, em que as coisas têm vários tons de cinza (UÔU!) e não são só preto ou branco.

[Sugestão: leia esse post da Verinha da Silveira no blog "Feminismo Sem Demagogia"... Bacana, com muita informação e entrevistas com mães de pessoas com TEA.
Outra sugestão: esse outro post do Professor Celso Goyos no blog "Vamos falar sobre autismo" para esclarecer dúvidas sobre o diagnóstico e o tratamento do autismo. Sim, ele é meu supervisor de Pós-doutorado e esse é o blog do Lab onde eu trabalho. 


sábado, 11 de janeiro de 2014

CURIOSIDADE DO AUTISMO OU EVOLUÇÃO ESPIRITUAL DESMEDIDA


silvânia mendonça almeida


Não adianta. Mãe observa filhos vinte e quatro horas. Mesmo não podendo fazer tudo por ele. Mas muitas vezes me pego a observar meu filho autista. André é por demais terno, meigo e calado. Lógico. O dom da sua fala é muito restrito. Mas se tem uma pessoinha que não precisa falar, esta é ele. Fala com aqueles olhos brilhantes, arqueados, observadores. Olhar que às vezes se perde no balanço das coisas feitas e no balanço de vida das pessoas menos favorecidas.
Uma curiosidade espiritual passou a acontecer na rua onde temos acesso. André é amigo e chega perto de todos os moradores da rua. Também nos restaurantes, nos lugares onde vamos e nas cidades as quais já passamos. André não pega na mão de gente “normal” para cumprimentar. Não permite o toque de ninguém. Sabemos que todos merecem nossos eternos cumprimentos educados, sociais, vislumbrados na convivência de não sermos uma ilha. Mas também sei que meu filho é diferente. Foi considerado diferente e age de forma diversificada.
E lá vai ele. Atravessa a rua e pega nas mãos de todos os que são seus moradores. Temos que acompanhar, pois ele ainda não sabe atravessar a rua. E ao chegar perto dos maltrapilhos André balança a mão do sujeito várias vezes. Sua dignidade humana e espiritual se alicerça ao morador de rua.
“Oi, oi, oi, oi, oi,oi.” André repete.
E não é diferente em outros lugares. Nas beiradas das ruas, nos possíveis guetos onde tentamos fazer nossa caridade de cada dia, nas portas de igrejas, nos lugares inusitados.
E faz questão de balançar as mãos de mendigos, moradores de rua e de todos aqueles que são considerados pessoas com necessidades especiais. E seu aperto de mão é forte. Como passasse a espiritualidade azul que existe dentro dele. E segue repetindo: “oi, oi, oi, oi, oi.” O Cumprimentado sente a mão doer.
Curiosidade especial do autismo? Evolução desmedida?
Opiniões e análises são muito bem-vindas.
Só sei explicar a ternura e a compaixão do seu olhar para cada olhar sofrido. Mais nada!!!!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

E lá vai o vento



silvania mendonça almeida margarida
pensada em 09 de janeiro de 2014.

E lá vai o vento
Levando alegrias
O néctar das idas e vindas ao planeta
O perfume do passado e o aroma do futuro.

E lá vai o vento
A suavidade da prova
A alegria do autismo
O sabor das novas amizades

E lá vai o vento
Levando o compromisso
Trazendo o espectador
Das areias, das praias, das brisas,
Dos mares, dos oceanos
E de um grande amor!

E lá vai o vento
Sem a complicação do relógio
Do sorriso maroto do autismo
Dos passes abençoados bem espirituais
Dos momentos das galáxias
Que o tempo não traz nunca mais

E lá vai o vento
Cantando em coros de passarinhos
em ninhos e em cantos
De pombas de barulhos esquisitos
Mas que compõem a natureza
e meditam todo o seu encanto

Lá vai o vento, lá vai o vento
Na sua maratona
Na sua grandeza natural
A dizer-me: novo ciclo já começou!
E eu gentilmente agradeço!!!!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Animais e autismo

25/12/2013 12h03 - Atualizado em 25/12/2013 12h18

Criador de cães se sensibilizou com história da criança e doou o animal.
Otávio tem cinco anos e já fez tratamento usando animal de estimação.

Anna Lúcia SilvaDo G1 Centro-Oeste de Minas

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Cachorro foi doado a garoto com autismo em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Cachorro foi doado para menino que é autismo
(Foto: Anna Lúcia Silva/G1)
Ganhar um animal de estimação no Natal pode ser o desejo de muitas crianças, mas para Otávio Augusto dos Santos, de cinco anos, um cão representa mais do que diversão, significa cuidado com a saúde. O menino de Divinópolis é autista e por quatro meses participou de uma nova técnica de terapia que utiliza cães. Segundo a mãe dele, Michele dos Santos, o resultado é de impressionar. Foi na Terapia Assistida por Animais (TAA), que a mãe de Otávio descobriu uma nova chance de recuperação para o filho. A história foi contada no G1 e um criador de cães se sensibilizou e doou um labrador ao garoto neste Natal. Otávio se assustou com a entrega do animal, que ocorreu nesta segunda-feira (23), mas segundo a psicóloga Daiane Gomes, a reação é comum. "Isso é normal, é uma fase de adaptação. Logo eles serão amigos", afirmou.
O cão que recebeu o nome de Tody é da mesma raça e cor da cadela Jade que pertence ao canil da Polícia Militar (PM) da cidade e que foi treinada, por cerca de dois anos, para ser co-terapeuta do projeto que incentiva a recuperação de crianças especiais da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
A mãe lembrou que após três sessões na terapia, Otávio parecia outro. E por isso, desde então, quis presentear o filho com um cão. E o presente segundo ela, veio em boa hora. "O Otávio já teve um cachorro, mas ele gostava tanto, que queria ficar acordado com ele e não aceitava que o cachorro dormisse do lado de fora da casa, tinha que dormir na cama. Agora, ele vai aprender a cuidar do Tody e isso vai ser muito bom, tenho certeza. Espero que Otávio se acostume logo com ele", contou.
Assim como ocorreu com Jade, o primeiro encontro com Tody também não foi receptivo. O menino precisará de um tempo para se socializar com o novo amigo, segundo a psicóloga. "Isso leva tempo, mas logo ele aceitará a presença do cachorro dentro de casa. E com certeza vai ser um motivo a mais de interação para o garoto, inclusive com outras pessoas", disse.
Otávio Augusto em casa em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Otávio Augusto em casa em Divinópolis
(Foto: Anna Lúcia Silva/G1)
E não foi só Otávio que ficou feliz com o presente. O criador de cães Alessandro Adami disse que ficou muito satisfeito em saber que o cão poderá ajudar no tratamento da criança. "Com certeza ele irá experimentar uma amizade pura que só um cão é capaz de proporcionar", afirmou.
Terapia Assistida por Animais
O trabalho com a cães é simples, segundo a terapeuta ocupacional Glória Barros Silva. Durante a terapia, junto a um corpo clínico composto por quatro profissionais da saúde, o animal estimula novas maneiras de comportamento das crianças. A terapeuta disse que a parceria com Jade tem se tornado indispensável nos trabalhos de interação com as crianças.
Jade ajuda na recuparação de crianças especiais em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/ G1)Jade ajuda na recuperação de crianças especiais
em Divinópolis (Foto: Anna Lúcia Silva/ G1)
"A Jade estimula as crianças a fazerem tudo que nós terapeutas precisamos que elas façam. São coisas simples, mas que às vezes os meninos têm dificuldade de executar, e com a Jade isso se tornou fácil. Por exemplo, durante as brincadeiras que a cadela participa eles demonstram mais interesse e completam a atividade pelo simples fato de termos a cadela presente", relatou.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

bem te vi bem.te.vi

BEM TE VI    BEM-TE-VI



Silvania Mendonça Almeida  Margarida
02 de novembro de 2002.



           


Bem.te.vi
Que me visita
todos os dias
com uma
cantiga  antiga,
na janela
da minha varanda.
Seu canto nada finge,
como vento em folha de árvore
que se mostra e balança,
nunca mente,
tendo a ousadia
de fantasiar paisagens.


Passam-se as tardes,
E outras e outras tardes-noites.
Não vejo você.
Porém, quando você distante,
escuto de longe
 seu mavioso canto
de outros muros e quintais.
E medito, paulatinamente,
o mundo só existe
dentro do seu canto.
Mas e o meu canto ainda desfeito?
      por que  ainda  não sou Bem.te.vi
Onde está meu canto?
Está na eleição das estrelas múltiplas?
     Em aprendizagens infinitas?
     Em autismo encontrado ao canto?


- Quem é você? De onde você vem,  Bem.te.vi?
Por quais caminhos voou?
Por que aqui pousou?
Quantos vezes pára na natureza divina?
       E você responde:
      - Bem te vi.
          Como sob o vento a árvore que o doa;
 O resto é mistério.


O que delimita a relação
das palavras e objetos?
O que delimita o silêncio?
Seria um eterno segredo?
Bem.te.vi, Bem.te.vi

Mas, realizada, noto:
 - Você não só existe
dentro de um  mundo
intricado e absoluto.
Não resistiria a tanta falta
de sobrevivência divina.
Do seu mundo de canto,
você desafia ventos antigos.
A sua aspiração é o sonho
de sempre entoar Bem te vi.
    
  Mas, ainda duvido em soneto
Preciso saber constelações
Preciso voar nas imensidões
Se não tenho asas,
Voarei em si.

 E indago:
Qual é a  sua primeira empreitada?
ao mirar  notas musicais?
Ou seriam as naturais?
revoadas de arapongas
a aliciar as asas?
Ou provocar
outras asas-de-telhas
que também espreitam a cantar.

Como os cantos evoluem?
Seriam como todos os vôos de gansos
Do norte ciferal?
Como seu canto evolui?
Bem.te.vi  ‘canarinho’
Que vai embora em badaladas,
Tocando sinos nas asas
Crescendo para o infinito,
Em todos os passarinhos.


Quando você vem
Bem te vi a toda hora
O canto não se esgota
 As palavras,
Canta com elas.
             - Bem.te.vi, Bem.
              - Bem.te.vi.



E na minha janela,
No meu quintal,
Na minha árvore,
No meu degrau,
Na minha varanda,
No meu passeio interior,
Bem te vi.


- Bem.te.vi
Que traz notícias de lá,
Do pai que já se foi.
E do irmão querido que foi atrás
Que traz notícias de cá
Da mãe vívida Teresinha
Em vivi
Enevi
André diz.
O Zé que diz, apesar
Dos pesares, ainda diz
As filhas santas
E os vê
Bem.te.vi

E responde:

“ Cada voz que canta o amor

Não diz tudo que quer dizer.
O homem sempre procura saber sua origem.”

 E Você,  Bem.te.vi,  -  de onde veio?
donde poetas freqüentemente cantaram?

          Em que sombra
          em que nuvem
          anda galopando o seu sonho?
          Para onde flui o rio
          do seu pranto?
         Quando seu canto é triste.

Lembre-se de que
Todo sinal é criado pelo homem.
Todo hino contém Bem te vi,
Que olhares não se percam nas tulipas
nas orquídeas, nas rosas e folhas
que mãos possam criar diversas flores
em contornos de desenhos,
pois  tais formas são perfeitas de beleza,
merecem Cantos de Heras,
com a permissão do Olimpo.



E que o mundo saciado de fadigas, descanse...
E que pessoas de  fragilidades tantas,
não se façam pequenas.
E quando diminutas e tenras
procurem no baixo, no calco da terra.
De olhos no céu, o seu canto.
Bem.te.vi, Bem.te.vi, Bem.te.vi
cerrar os pulsos para a luta vinda do alto 
e  que cintila  nos céus.


Bem.te.vi, bem.te.vi.
Partimos bordando a vida,
sem conhecer por inteiro o risco.
E permanece o seu canto.
E,
Continua longe mesmo assim
A sua verdade de evolução é
 vista por múltiplas facetas:
seu amor é assim,
som e imagem
bem vistos
na representação caricatural.

Através dos tempos
Persistem também seus caminhos
Pois quando levo minhas mãos,
você voa sem lhe alcançar.


Mas no outro dia, amanhecido dia,
Está sempre lá 
Bem.te.vi. Bem.te.vi.
Bem te vi.
E seus olhares-passarinho
Prescrito do longe e, às vezes,
  do nada.
Diz intensamente
como se falasse entrelinhas.
Trina o seu canto suave.
Silvania,  estarei sempre aqui.
               Chame sempre por mim.
por que Bem te vi, bem te vi
sempre em forma de amor.









quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Parabéns em 23 de outubro


silvânia mendonça almeida margarida

Hoje, você filho amado
completa mais um ano de vida plena e realizada, 
no seu mundo estranho, bem estranho,
mas por milagre divino você me deixa participar....
Somente eu!!!! Com seus beijos e abraços trejeitados!!!!
Nos momentos inoportunos e nos silêncios que falam!!!!
E eu só quero lhe dizer que 
mesmo antes de você nascer eu já lhe amava.
Como já dizia Agatha Christie:
“ o amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer
outra coisa no mundo. Ele não obedece à lei ou à piedade,
ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar no caminho”
E, nós dois somos assim,
Mãe e filho, sempre expostos, expostos para a aprendizagem,
Para a felicidade, mesmo que não convencional, mesmo que não comemorada !!!!
Nos gritos dos palcos e nos lustres dos vinhos
Somos assim, expostos, para aprender o que nunca irá fenecer em tão grande amor...
Enfim!!!!!
Teus braços sempre se abrem quando preciso um abraço.
Teu espírito sabe abranger-me quando preciso de um amigo.
Teus olhares compassivos se embrulham no autismo e você me dá uma lição!!!!
Tua seiva e tua ternura me dirigem a vida e me deram as asas que eu precisava para voar.
Por isto, filho!!
Eu me dou os parabéns por ter você!!!
O que mais preciso? ? ? ? ? ? ? ?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Poema do reencontro

E se eu sorrio
Foi à lágrima 
Que me ensinou
Se eu canto
Foi o silencio
Que me ensinou.

E se  eu não desisti
Foi a sua luz
Que me conduziu
Não há escuridão
Que vença
Seu sorriso.

Eu não mudei tudo em mim
O tempo tirou coisas
E trouxe outras.
Mas não sou como outrora

A vida nos impõe
Uma mudança diária
A! Minha mocidade
Vai numa quimera
Que não posso mais revisitar.

 Mas está lá
No meu caderno espiritual
Não se importe comigo
Ame meu filho autista
Amá-lo é não magoa-lo
Com buscas vãs.

É entender seu jeito
É dar-lhe um mundo
Menos dolorido
Que tal?
Não é modificar o mundo
Por ele
Mas modificar-se a si mesmo
Para aceita-lo, para amá-lo!

Autora
Liê Ribeiro
06/08/2013
Mãe do Gabriel/autista.

Diagnóstico rápido é fundamental para a educação de crianças autistas

Diagnóstico rápido é fundamental para a educação de crianças autistas

Portal Terra Educação - 12 de Julho de 2012 - 08h32

As dificuldades para inserção na sociedade das crianças com autismo variam de acordo com o grau da doença. Na área da educação, esses desafios estão tanto no espectro da cognição e da absorção de novos conhecimentos quanto no da socialização e da interação com pares de desenvolvimento regular.
Há diferentes vertentes para o entendimento de um melhor desenvolvimento da criança com autismo, mas todas chegam a um consenso: quanto mais cedo for feito o diagnóstico e medidas começarem a ser tomadas para adequar os métodos de ensino às necessidades da criança, mais efetivo será o aprendizado. "Quanto mais precocemente você intervir, menos evidentes ficam as características. O autismo não tem cura, mas há como minimizar", explica Carmen Trunci de Marco, diretora do Colégio Paulicéia, de São Paulo, uma escola de ensino regular que tem projetos para inclusão de alunos com diferenças cognitivas, incluindo autismo.
No Departamento de Psicologia da PUC-RJ, pesquisadores desenvolvem um projeto, em parceria com a secretaria municipal de educação do Rio de Janeiro, a fim de treinar educadores a reconhecer os primeiros sinais de autismo para que possam alertar os pais e encaminhá-los a profissionais especializados. Uma segunda etapa do projeto seria capacitar as educadoras para lidar corretamente com essas crianças em sala de aula.
Escolas cujo método de ensino passa por integrar estudantes com autismo em salas de aula regulares têm diversas maneiras de garantir que não haja atraso no aprendizado de nenhuma das partes e, ao mesmo tempo, estabelecer um ambiente favorável para todos os alunos. Do universo de 610 matriculados no Colégio Paulicéia hoje, 140 têm algum tipo de dificuldade no aprendizado, sendo a metade de autistas.
Carmen explica que há uma triagem assim que a criança entra na escola e ela é encaminhada para atendimentos personalizados ou integração assistida a turmas regulares, dependendo do caso. Fabiana Pigmataro, coordenadora do setor que trabalha com a inclusão de crianças autistas na escola, conta que a convivência ajuda no desenvolvimento dos pequenos. "Dou o modelo de brincadeira para a criança autista e trago o aluno de aprendizado regular para brincar. Os próprios colegas já levam a criança autista para brincar. Isso acontece naturalmente", explica Fabiana.
Há grandes vantagens nessa convivência. Robson Faggiani, consultor em terapia ABA - método muito usado para ensinar crianças com essa condição -, defende que é fundamental que essas crianças frequentem uma escola regular, direito garantido por lei. Ele ressalta, contudo, a necessidade de haver um acompanhamento profissional e a adaptação dos conteúdos e da didática utilizados em sala de aula. "O ideal é que as tarefas passadas pela escola sejam adaptadas para aquela criança", explica.
Esses acompanhantes são geralmente estudantes de psicologia ou pedagogia que fazem a mediação entre o autista e aquele mundo de novos aprendizados e novas relações sociais à sua volta. Apesar de trabalhar mais com escolas particulares, Robson conta que os relatos mais frequentes de profissionais que acompanham crianças é de que a rede pública, de modo geral, está melhor preparada para atender às necessidades dessas crianças do que a privada, mas há exceções em ambos os lados.
Outro caminho possível é encontrar uma instituição especializada em cuidar de crianças com necessidades especiais e fazer trabalhos diferenciados. Simone Schrener, psicóloga do Instituto de Desenvolvimento e Estimulação da Aprendizagem (Idea), entidade dessa modalidade em Porto Alegre (RS), conta que lá as crianças são avaliadas por uma equipe multidisciplinar que as encaminha para trabalhos individuais na instituição, em grupos, e fornece acompanhamento nas escolas regulares. Mesmo no caso de espaços dedicados como esse, a regra de começar o tratamento cedo também vale: "quanto mais cedo começar a estimulação, melhor", diz Simone.

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