sábado, 14 de agosto de 2010

AS CRIANÇAS COM AUTISMO EM MACAU





Em que idade da vida o problema do autismo é normalmente detectado?
Poderão existir casos detectados na adolescência, mas normalmente é bastante mais cedo, entre os 3 e os 6 anos: a falta de contacto visual, a dificuldade em perceber instruções e segui-las, também nas questões de afecto. Por outro lado, não há dois casos idênticos, e os níveis de dificuldade que resultam do autismo são também muito variáveis. Tal como todos, somos muito diferentes entre nós. O importante é o tratamento individual, cada caso é um caso, os terapeutas é isso que fazem, preparando um plano de apoio de acordo com as necessidades de cada criança, por exemplo a nível cognitivo ou a nível da motricidade.

Legalmente, é previsto que crianças com necessidades educativas especiais tenham uma série de apoios, quer eles sejam numa instituição de ensino especial, quer sejam numa escola regular. As crianças com o espectro do autismo precisam de apoio muito específico, ora em Macau não existe nenhuma instituição de ensino especial que esteja exclusivamente preparada para receber crianças com autismo, de língua inglesa ou portuguesa, existe somente para crianças de língua chinesa.

Números sobre o autismo, que exemplos pode dar-nos?
Lamentavelmente, os números têm vindo a aumentar. Por exemplo, nos Estados Unidos, 1 em cada 140 crianças sofre de autismo.

E qual é a realidade em Macau?
Tive a oportunidade de participar, no ano passado, numa importante Conferência em Hong Kong onde recolhemos a informação de quem em Macau há 373 casos de autismo, com listas de espera por consulta, para avaliação, entre 6 e 9 meses.

Por vezes as pessoas escondem os familiares com problemas…
Sinto que em Macau ainda há casos em que os pais sentem vergonha, medo de serem identificados como tendo algum familiar com algum problema de saúde mais grave – o que dirão os outros?, é sempre uma pergunta que fazem para eles próprios, ou então pensam que saindo com aquela criança, serão rejeitados pela sociedade.

Chegado à idade escolar, que apoio possível, em Macau, que enquadramento legal?
Enquadramento legal existe, tipo de apoio é que não é coincidente. Legalmente, é previsto que crianças com necessidades educativas especiais tenham uma série de apoios, quer eles sejam numa insituição de ensino especial, quer sejam numa escola regular. As crianças com o espectro do autismo precisam de apoio muito específico, ora em Macau não existe nenhuma instituição de ensino especial que esteja exclusivamente preparada para receber crianças com autismo, de língua inglesa ou portuguesa, existe somente para crianças de língua chinesa. Deve ter-se em atenção que há famílias chinesas que optam por matricular as crianças no ensino de língua inglesa: então, também essas sentem muita dificuldade em receber apoio no âmbito sua actividade escolar, enquanto sofredoras de autismo. Os apoios a essas crianças têm de ser feitos na língua que elas dominam.

Há casos em que a criança com problemas de autismo tem de ser internada clinicamente?
Depende do nível de dificuldades que a criança tenha, mas muitos deles conseguem depois ter uma vida independente.

Que apoios vão tendo para manter de pé todo o vosso trabalho na Associação?
Alugámos uma sede, o espaço é pequeno, alugámos mais dois pequenos espaços, tentamos sempre que as entidades oficiais nos cedam alguma instalação maior, mas até agora as respostas são sempre idênticas: não há espaços disponíveis. A realidade é que nós temos de expandir o nosso trabalho à medida que aparecem mais casos merecedores de toda a nossa atenção. Felizmente, temos um exemplo muito positivo que muito agradecemos. Uma escola privada, internacional, cedeu-nos três salas onde podemos realizar o nosso trabalho junto das crianças, a nível educacional, cognitivo, etc. Muitos deles são extraordinariamente inteligentes, excelentes alunos em matemática, por exemplo. Temos apoio do Instituto de Acção Social que cobre, parcialmente, os custos de ajuda a 30 crianças, designadamente no que respeita aos salários dos terapeutas. A Fundação Macau tem apoiado uma parte dos custos que temos feito em algumas obras muito necessárias que tivémos de fazer. Com o pouquinho que temos, fazemos muito, apesar das dificuldades económicas.

Mesmo com essa boa ajuda, não estão resolvidos os problemas de espaço?
Realmente não estão. Temos agora uma outra ajuda, esta veio do sector industrial. Por isso estamos elaborando um plano para uma oficina educacional, onde os nossos adolescentes com dificuldades no aspecto autista que não possam ou tenham muitas dificuldades em seguir o ensino regular, ali tenham treino vocacional.

O trabalho da Associação não é somente realizado nas vossas instalações…
Não, os terapeutas que trabalham connosco, para além de desenvolverem actividade nos centros, vão às residências, vão às escolas, vamos a qualquer lado onde nos disponibilizem espaços e as crianças necessitem.

E custos?
No meu caso, estou em dívida até aos 80 anos! A nossa associação oferece o seu trabalho a todas as famílias, mesmo àquelas com muitas dificuldades. Mas as famílias com melhor nível de vida, que tenham filhos com problemas de autismo, devem investir de imediato no tratamento das crianças. Devem investir nelas, mesmo que só consigam ser independentes, por exemplo no acto de comer. O simples facto de passarem a poder comer sozinhas, sem ajuda, já é admirável e muito esperançoso. Temos casos extraodinários de recuperação, independência e integração social a que chamamos os nossos milagres.

Por vezes, os problemas do autismo não são identificados pelos pais, pensam que os filhos são menos inteligentes… sente que há esse risco?
Esse é um dos grandes dramas, a criança ser mal interpretada, mal compreendida. Mas isso não somente no âmbito do autismo, mas também ao nível da educação. Muitas crianças ouvem durante anos aquelas frases que conhecemos: tu não queres, tu não tentas, tu tens preguiça, és estúpida, não fazes bem as coisas porque não queres. Eu tenho dito, se a criança tem menos de 14 anos não é preguiçosa, ela não faz de propósito, o seu procedimento é um consequência duma qualquer causa que exista. A criança prefere ser apelidada de preguiçosa do que ser confrontada com os seus colegas como sendo menos inteligente que eles; ela sofre bastante quando ouve que a consideram estúpida.

Aceitam pessoas voluntárias para ajudarem nos vossos trabalhos?
De braços abertos!


http://hojemacau.com.mo/?p=169

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

PARÁBOLA DA VIDA AUTISTA





silvania mendonça almeida margarida


A vida de um autista é amiga oculta
como recordação de uma flor...
Ressurge e novamente escreve
sorrisos ou dores daqueles que especiais são...



O que sempre se fez em orvalhadas flores,
odes escritas para um único amor
Um filho especial ou a idolatria de curar o autista
É parábola de uma inteira vida infinita



Quem sabe amanhã não mais existirá em poesia...
ou me comprará um jardim com flores
Borboletas de muitas cores...
Para cura de todos os desencantos do meu ser.


Que o autismo seja lembrado como meu encanto.
Ainda que não por todos os cantos que ele ecoe.
Meu corpo pode até ficar inerte, mas que ele voe
Para onde eu possa entendê-lo.


Às vezes fico a sonhar os espaços
que queria conquistar
A imaginação, a cura e um sério desabafo.
Assim, como se eu fosse o orvalho ao cair na flor
Que se transformaria em pétalas o autismo mitigado



A flor mimosa que abrilhanta o prado
A fortuna nascente vai pedir luz
E o sol ... a estrela de primeira grandeza
onde jaz meus desejos de cura abrandada
Brilhará em intenso fulgor.



Na afluência de coexistir com o autismo
Que vai além dos atalhos e dos caminhos
Nos pós finos das quimeras
Sigo a senda invisível inabitada
Sem tecer a parábola da vida autista
Que se aninha sem cálice no meu coração...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sinais de autismo podem aparecer em bebês com 1 mês de vida




Ana Paula Pontes


Pesquisa foi realizada com prematuros que permaneceram em UTI e revela anormalidades precoces em crianças que mais tarde foram diagnosticadas com o distúrbio.


Diagnosticar precocemente o autismo é tão fundamental para o tratamento e o desenvolvimento das crianças que tem sido o grande desafio da medicina desvendar quando os primeiros sinais podem surgir. Um novo estudo, publicado na edição de setembro da revista científica Pediatrics, revelou que com apenas 1 mês de vida isso já seria possível.

Cientistas do New York State Institute for Basic Research in Developmental Disabilities estudaram 28 bebês de uma UTI neonatal que mais tarde foram diagnosticados com autismo, comparando-os com 112 bebês sem o distúrbio de comportamento. O comportamento e desenvolvimento dos bebês foram avaliados com 1 mês, aos 4 meses e, periodicamente, até completarem 2 anos.

Um dos resultados revelou que, com apenas um mês, 40 % das crianças que foram diagnosticadas com autismo posteriormente apresentaram anormalidades na maneira como visualizavam objetos e mais da metade tinham flexibilidade ou rigidez demais nos braços.

Segundo Antonio Carlos de Farias, neuropediatra do Hospital Pequeno Príncipe (PR), embora os sinais de alerta para autismo possam surgir em crianças tão novas, isso não quer dizer que ela desenvolva o distúrbio no futuro. “O diagnóstico não é tão simples, e deve ser feito por um especialista, mas os pais devem estar atentos desde cedo com o comportamento dos bebês. Em especial aqueles que não oscilam reação de fome ou frio, ficam muito quietos no berço, demonstram uma fixação maior pelo objeto que pelas pessoas e não têm costume de olhar nos olhos”, diz.

O especialista alerta que esse estudo foi feito com bebês prematuros de UTI, e outras pesquisam devem ser feitas com crianças nascidas a termo e diagnosticadas com autismo mais tarde para verificar se as anormalidades precoces seriam similares em crianças não-prematuras também.

fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI161816-15046,00-SINAIS+DE+AUTISMO+PODEM+APARECER+EM+BEBES+COM+MES+DE+VIDA.html

domingo, 8 de agosto de 2010

MEU FILHO E SEU PAI: SERES ESPECIAIS




silvania mendonça almeida margarida


Hoje é comemorado o Dia dos Pais, a famosa semana dedicada a todos os pais na nossa Nação. André chegou em casa com um presente para o seu pai. Uma camisa branca onde estava designada a seguinte frase: “EU MOSTRO A MINHA ARTE, MEU QUERIDO PAI”. Mas todos os dias são Dias dos Pais. O desenho da camiseta era simples e usado de três cores de lápis: laranja, preto e verde e apenas uma garatuja como figuração. Com ajuda da professora da escola, que deve ser muito cuidadosa, assinado ANDRÉ. E a camiseta é linda, transparente, branca e envolve os mais nobres sentimentos de uma criança especial para um pai que é um ídolo. E merece.

Um sentimento indescritível nessas aberturas toma conta do meu ser: será que a arte do meu filho e de todos os filhos autistas e respectivos pais não são ritos de passagem? Os Pais são agentes educativos importantíssimos, uma vez que representam, para os seus filhos figuras de apego e de identificação, também uma grande influência na criança. Não diferentemente com a criança autista, com o adolescente autista, com o rapaz autista.

O que se espera de um pai que tem um filho autista? O pai tem a responsabilidade de educar seus filhos para sua integração. Proporcionar-lhe a ajuda necessária para conseguir seu desenvolvimento integral, físico, moral, espiritual. O lar e a família são os aspectos mais importantes para a integralização feliz da criança autista.

Não se deve tomar nada como eterno, mas pais são ricos e duradouros enquanto a gente estiver na vida. Um pai é a busca de uma estrela, a aspiração de todos os filhos, são realizações que se guardam no interior. Ensinam a vivência e a essência da alma. Mostram a paciência e com tantos ensinamentos que não saem do pensamento.
A cada palavra entre pai e filho, André cresce, acorda e vai a busca do futuro, mesmo que seja um futuro espiritual. Futuro que está nas mãos e na fidelidade de pai para filho.

Basta ouvir o coração e pai e filhos especiais!!! E André seguirá pela vida mostrando a arte para seu pai, não tão somente em camisetas, mas em momentos felizes vividos juntos num verdadeiro lar que abraçou a causa autista.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

PALAVRAS POÉTICAS DA AVÓ DO ANDRÉ LUÍS



Teresinha Mendonça Almeida

Como dizer a você
que me interroga solícita,
por ser mãe duas vezes de um filho autista
Que esperanças posso ter?


No embalo da transparência
respondi com a maior certeza
meu neto é um missionário
que enverba sublime missão


Doa no dia a dia poderosa lição
Distribui luz e pureza
No exemplo de atitudes
que a todos lhe dão a mão


Se todos pudessem sentir
O inverso desta história
Por certo não contariam vitória


Nesta missão tão sublime
A graça que nos redime
Não está na mão para entendermos


Talvez a dádiva maior
na inversão dos papéis
somos nós os devedores
pelas lições e favores

Nesta vida em evolução
no mistério escondido
Surgem os pais que amam e aceitam
na expansão mais perfeita
do abraço por devoção
onde a renúncia, trabalho e carinho
transforma a água em vinho
e sangue seifado em pulsação...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL



Uma criança especial
De uma suscetibilidade que irradia
nas suas necessidades especiais e peculiares
Que de si só nascem o perfume
e a leveza de uma certeza
Que leva consigo a alegria e a beleza
de uma alma primaveril
uma prosa poética aos sensíveis...

Toda a filosofia da educação especial
está contida numa única história:
Uma criança com necessidades especiais
é uma plumagem dourada
Uma mesma ramagem que pode contar
as histórias mais infantis
No silêncio do abraço
e no braço da cadeira de rodas
No afago da mudez, nos olhos mutilados,
nos ouvidos que não escutam
As palavras que nunca
laçam entendimento cognitivo
Mas contornam um tesouro que se deixa
nas mãos de qualquer pessoa humilde
Um presente para o mundo,
único e só há um igual a ele
Sua vida só pode ser o que quiser que seja
Não é injusta ao semear virtudes
Não pensa antes de falar,
E também não magoa ninguém
compreende mais e consegue
acreditar em si mesmo ...
A Alma dos especiais está misturada
com o coração de todos os pais...

A inspiração, às vezes, fica triste
e sua partida é inesperada
chora pela deficiência não entendida
O encanto se perde
E o fazedor de sonhos
não seduz e arrebata
os devaneios nunca vividos
Que são de outro ambiente astral


Toda vez que uma criança especial
é desprezada e não amparada
um passarinho alça seu vôo
e vai certeiro lá para céu
vai assumir o seu posto de anjo
para ficar bem perto de Deus

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Tenho um filho com autismo

Eu sabia desde o tempo que eu era uma menina que eu teria meus próprios filhos algum dia. Eu me casei com 22 anos, e em 25 eu me vi grávida do meu primeiro filho. Eu não poderia ter sido mais feliz. Minha gravidez foi bastante típica. Eu nunca preocupado e salientou como algumas mulheres grávidas fazem. Dificilmente me passou pela cabeça que pudesse haver algo errado com meu bebê. Eu li todos os livros de gravidez e seguiram à risca. Não beber, não fumar, comer uma dieta saudável, tendo as vitaminas horrível. Eu nem sequer beber cafeína.

Quando eu descobri que eu estava carregando um menino que eu era ainda mais feliz. Eu sempre quis ter um filho, e meu marido teve duas filhas de seu casamento anterior, e ele ficou muito feliz. Ele seria o primeiro neto de meus pais e eu duvido que alguma vez tenha sido uma criança nascida que foi mais queria.

Ele nasceu um lindo bebê perfeito no início de junho de 2001. O trabalho foi longo e doloroso, mas acabou e eu tive meu bebê. Ele parecia um recém-nascido normal e eu fussed sobre ele como a primeira vez mães costumam fazer. Eu estava no amor, e tirou centenas de fotos dele. Ele foi o primeiro neto, primeiro sobrinho, e foi regado com amor.

Fiz notar algum tempo depois de seu primeiro aniversário que ele pareceu um pouco lento em aprender seu nome, e que ele iria jogar tranquilamente sozinho, enquanto eu deixava. Ele não pareceu muito interessado em o que acontece na da família. Eu pensei que ele era tão sério e inteligente, como ele iria se sentar no chão com um livro de bordo segurava em sua mão gordinha pouco, virando as páginas, como ele já podia ler as palavras. Eu estava um pouco ferido que ele nunca pareceu se importar quando eu o deixei, mas eu risquei que até ele estar tão confortável com os meus pais. Ele se envolveu, ele sorriu brilhantemente e com frequência. Ele iria rir incontrolavelmente quando eu fazia cócegas ou lhe empurrou no balanço do bebê pendurado na árvore em nosso quintal. Ele amava a Blue Clue e ficava na frente da TV e assisti-lo, enquanto eu deixava. Ele foi o meu primeiro filho, e que tinha sido anos desde que passei algum tempo em torno de uma criança pequena. Eu não sabia que havia algo de estranho ou diferente sobre o seu comportamento. O meu médico nunca disse nada sobre o seu desenvolvimento. Ele aprendeu a engatinhar e depois andar para a direita na programação.

Quando ele se aproximou de seu segundo aniversário, eu tive um pouco de tom de preocupação com o fato de que ele não estava falando. Em sua segunda festa de aniversário cercado por uma dúzia de outros miúdos que jogou sozinho, parecia não perceber que eles estavam lá. Senti um aperto pânico de mim, eu sabia que isso não estava certo. Comecei minha longa jornada de preocupação.

Eu procurei na web, procurando respostas. Vi a palavra autismo, mas que rapidamente descartada. Eu sabia que era alguma coisa, mas não é isso. Meu filho sorriam. O meu filho riu, e gostava de ser abraçada e cócegas. Eu aprendi sobre a intervenção precoce e agendada uma avaliação. Ele se ajustam aos critérios por trás e foi bastante em várias áreas que se qualificou para iniciar a fala, OT e uma escola de desenvolvimento pré. Perguntaram-me se eu queria um terapeuta comportamental para vir vê-lo, e eu disse que sim. A mulher que foi enviado um conhecedor, classificar experientes educados que não fez rodeios. Ela passou uma hora com o meu filho e me disse que ela estava muito certo o meu filho tinha autismo.

Assim começou a nossa vida de terapia e terapeutas. Eu li todos os livros, artigos, e uma página web sobre o autismo que pude encontrar. Eu estava esperançoso. Eu li todas as histórias da mãe, que tinha "curado" dos seus filhos, que foram agora "típicos" e de vida como qualquer outra criança. Eu fiz tudo. Fala, OT, ABA, a terapia comportamental. Levei-o para um hospital da cidade vizinha, conhecida por seu trabalho com o autismo e tem o diagnóstico eu já sabia. Foi esmagador, mas também alívio, só para ter o diagnóstico oficial.

Aqui estou eu, quatro anos depois. Eu tenho um belo garoto de 7 anos pouco feliz idade. Ele tem autismo clássico. Ele não fala, ele não é toalete treinado. Ele possui centenas de brinquedos que ele não jogar, preferindo a balançar no balanço pendurado na porta ou subir e descer a escada. Ele adora ficar na janela e olhar para fora. Ele adora água, uma piscina, uma banheira ou uma mangueira de água, ele não se importa. Ele não dominou um garfo e colher, preferindo comer com as mãos. Ele adora laranjas, e pode ouvir um saco de batata chips rattling três quartos mais. Ele odeia sapatos e seria nu todos os dias se eu deixá-lo. Sabe que eu sou a mamãe e se eu pedir a ele com um som F Às vezes ele me olha e sorri, e de graça me, com um "mamãe". Ele ainda ama cócegas e pular no meu colo para um squeeze e uma vezes cócegas várias vezes ao dia.

Ele ainda vai para a terapia, a terapeuta da fala privada e outras terapias na escola, onde ele está em sua second rodada do jardim de infância numa sala de aula típica. Eu me sinto como seus professores, ajuda e terapeutas na escola verdadeiramente amam e me sinto seguro enviá-lo ali todos os dias. Ele melhorou, lentamente, em algumas áreas. Eu aceitei que ele nunca pode falar. Fiz as pazes com isso, mas ainda espero que todos os dias que ele vai. Eu aceitei que ele é diferente e aprendi a conviver com a ignorância das pessoas ao meu redor que não sabem o autismo, que não tiveram em suas vidas. Ainda.

Ele é meu, e eu o amo. Ele traz tanta alegria para minha vida e mudou quem eu sou. Acho que ser mãe me tornou uma pessoa mais amável e menos crítico. Se eu pudesse ter o autismo embora, eu o faria. Mas tenho que admitir que eu não posso. Eu levá-la um dia de cada vez.


fonte: http://www.experienceproject.com/l/pt/s/historias/Meu-Filho/185196

domingo, 1 de agosto de 2010

OS OLHOS CHOROSOS DE TUA MÂE!!!





silvania mendonça almeida margarida


Acordas
Não tenhas receio do dia
Tu choras embora
Não pertenças a qualquer
Queixosa união

E a tua chama
Ou do teu olho aceso
E de tua insônia
Rebocas o por do sol
Com o mesmo cuidado
De quem transporta
Um barril de ilusões

No paiol do quarto
E nas noites dos gatos
E a dor alheia doendo em ti
Acordas sempre
Saindo deste mundo hostil

Lá, naquele recanto, que escolhestes
não vives apontando ruas e escolas
não driblas o alambrado e as redes
não corres atrás dos pássaros e dos viveiros
És justamente como a tela de um alfobre
Onde te fazes prisioneiro... e por quê?


Dou garantia do que te falo
Se te libertas, és um mágico de ti
A liberar muitos avestruzes
Muitos versos e muitas poesias
E o teu é nome Luís
Rian para os afiados
Dar-te-ão tratos aos caramelos
E fitar-te-ão fora dos gramados...

Não escrevas porque não sabes
Nem garatujas e nem rabiscos
Mas manténs o broto aberto
Para poder infiltrar-te,
ir mais além, além...
E externar o teu inverso
Pois dentro dou teu Eu autístico
Podes transpor até a mais,
muito mais e mais...
a recôndita medula do teu coração
E enxugar os olhos chorosos de tua Mãe!!!

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